O Despertar das Chamas
Public Story

O Despertar das Chamas

O ar gelado queimava seus pulmões enquanto ele corria, mas não era nada comparado ao calor que irradiava das costas do lobo. Matheus sentiu o asfalto áspero raspar a palma de suas mãos quando caiu, a mochila pesada deslizando para o lado.

DigitalGoblin230
AuthorDigitalGoblin230
Created7. August 2026
Chapters12

Story context

World description

O mundo é o nosso, mas com uma camada oculta de mitologia viva. Os deuses antigos, como Zeus, Hércules, apolo, atena, Afrodite e Medusa, não são apenas lendas; eles existem e seus descendentes, os semideuses, andam entre os humanos, escondendo seus poderes. A sociedade secreta dos semideuses é regida por regras antigas e alianças perigosas, onde cada ser desperto precisa aprender a controlar suas habilidades ou ser caçado por...

Initial situation

O sol mal tinha nascido quando o despertador de Matheus tocou, mas ele já estava acordado, sentindo uma estranha energia percorrendo seu corpo. Um áudio de Lívia, sua melhor amiga, o alertava para correr, pois o ônibus da escola estava prestes a partir. Ele vestiu a camisa às pressas, pegou a mochila e saiu de casa em disparada. Enquanto corria pelas ruas tranquilas do bairro, um rugido profundo ecoou atrás dele. Ao se virar, ...

Objective

Matheus precisa desvendar os segredos de sua herança divina, aprender a controlar seus poderes místicos,solares e de cura, sobreviver às ameaças que surgem com seu despertar, enquanto navega pelos sentimentos crescentes por Luis.

Chapter samples

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Chapter 1
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O ar gelado queimava seus pulmões enquanto ele corria, mas não era nada comparado ao calor que irradiava das costas do lobo. Matheus sentiu o asfalto áspero raspar a palma de suas mãos quando caiu, a mochila pesada deslizando para o lado. O rugido ecoou novamente, tão perto agora que vibrou em seus ossos, e ele ergueu os braços instintiva...

O ar gelado queimava seus pulmões enquanto ele corria, mas não era nada comparado ao calor que irradiava das costas do lobo. Matheus sentiu o asfalto áspero raspar a palma de suas mãos quando caiu, a mochila pesada deslizando para o lado. O rugido ecoou novamente, tão perto agora que vibrou em seus ossos, e ele ergueu os braços instintivamente, como se isso pudesse detê-lo. Uma luz dourada, quente e intensa, explodiu de suas mãos. O lobo parou, as patas dianteiras cravadas no chão, e soltou um ganido surpreso. As chamas que envolviam seu corpo vacilaram, como se a luz as estivesse sufocando. Matheus olhou para as próprias mãos, atônito, vendo a energia se dissipar em pequenas partículas brilhantes que flutuavam no ar da manhã. O que era aquilo? O que estava acontecendo com ele? Antes que pudesse processar, uma figura saltou de trás de um carro estacionado, brandindo o que parecia ser uma lança de metal reluzente. Luis. Seu amigo de escola, o mesmo que sempre o provocava nos corredores, agora vestia uma jaqueta de couro e tinha os olhos dourados brilhando como faróis na penumbra do amanhecer. — Sai da frente, Matheus! — gritou Luis, cravando a lança no ombro do lobo. A besta uivou, sacudindo o corpo, mas Luis não recuou. Ele girou a arma com uma destreza que parecia ensaiada por anos, e o lobo recuou, as chamas em seu corpo diminuindo gradualmente até se apagarem. O animal, agora apenas um lobo cinzento comum, soltou um último rosnado antes de desaparecer entre as sombras de um beco próximo. Luis baixou a lança, ofegante, e se virou para Matheus. O brilho dourado em seus olhos ainda pulsava, mas ele sorriu, um sorriso torto e familiar. — Levanta, vai. O ônibus não vai esperar. Matheus ficou imóvel por um instante, o coração batendo tão forte que parecia querer escapar do peito. Ele olhou para as mãos novamente, para a pele que ainda ardia com um calor suave, e depois para Luis, que agora estendia a mão para ajudá-lo a se levantar. — O que... o que foi aquilo? — a voz de Matheus saiu trêmula, quase um sussurro. Luis suspirou, o sorriso desaparecendo de seu rosto. Ele guardou a lança em um compartimento oculto em sua jaqueta e olhou ao redor, como se esperasse que algo mais surgisse das sombras. — Não aqui. Na escola, a gente conversa. Mas, Matheus... — ele fez uma pausa, os olhos dourados encontrando os dele. — Você não é tão comum quanto pensa. O ônibus escolar apareceu no final da rua, seus faróis cortando a névoa da manhã. Matheus pegou a mochila, ainda atordoado, e seguiu Luis em direção ao ponto de ônibus, sentindo que o mundo que ele conhecia havia se despedaçado em questão de minutos. E, no fundo de sua mente, uma voz antiga e desconhecida sussurrava que aquilo era apenas o começo.

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Chapter 2
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O ônibus escolar rangeu ao parar na porta, e Matheus subiu os degraus com as pernas ainda tremendo. O motorista, seu Carlos, nem olhou direito, já acostumado com a rotina matinal. Matheus passou o cartão e seguiu pelo corredor estreito, os olhos procurando um lugar. Luis entrou atrás dele, os olhos dourados agora normais, mas ainda carre...

O ônibus escolar rangeu ao parar na porta, e Matheus subiu os degraus com as pernas ainda tremendo. O motorista, seu Carlos, nem olhou direito, já acostumado com a rotina matinal. Matheus passou o cartão e seguiu pelo corredor estreito, os olhos procurando um lugar. Luis entrou atrás dele, os olhos dourados agora normais, mas ainda carregando uma vigilância silenciosa. Ele se sentou em um banco vazio perto do meio do ônibus, longe o suficiente para não chamar atenção, mas perto o bastante para observar. Lívia estava no fundo, como sempre. — Matheus! — ela chamou, batendo na poltrona ao lado. — Você quase perdeu o ônibus de novo, seu idiota. Ele sentou ao lado dela, a mochila no colo, e por um momento apenas respirou. O cheiro de queimado ainda impregnava suas roupas, e as mãos arranhadas latejavam. — Lívia... — ele começou, a voz baixa, quase inaudível. — Você não vai acreditar no que aconteceu. Ela franziu a testa, o celular esquecido na mão. — O que foi? Parece que viu um fantasma. — Pior. — Ele se inclinou, os olhos fixos nos dela. — Um lobo. Um lobo de fogo. Ele apareceu do nada enquanto eu corria, e... e eu fiz alguma coisa. Uma luz saiu das minhas mãos. Lívia piscou. Depois soltou uma risada curta. — Tá, você está me zoando. Que lobo de fogo, Matheus? Você bateu a cabeça quando caiu? — Não estou brincando! — ele insistiu, a voz subindo um tom antes de ele se controlar. — E o Luis apareceu com uma lança e lutou com o bicho. Ele tem uma lança, Lívia. E os olhos dele brilhavam dourados. Ela olhou para o meio do ônibus, onde Luis estava recostado na janela, os braços cruzados, o olhar perdido lá fora. Parecia um garoto normal, com a jaqueta de couro e o cabelo bagunçado. — Matheus, você está delirando — ela disse, mas a voz já não tinha tanta certeza. — Talvez seja falta de café da manhã. — Juro por tudo que é mais sagrado. O ônibus seguiu seu trajeto, parando em outros pontos, pegando outros alunos. A conversa morreu ali, mas Lívia ficou em silêncio, os olhos indo de Matheus para Luis, e de volta para Matheus. Ela queria acreditar que era brincadeira, mas havia algo no olhar do amigo, um medo genuíno, que a fazia duvidar. Quando o ônibus finalmente parou em frente à escola, o sol já estava mais alto, banhando o prédio antigo com uma luz dourada. Os alunos desceram aos poucos, espalhando-se pelo pátio. Matheus segurou o braço de Lívia antes que ela saísse. — O zelador está no intervalo agora. A sala dele fica vazia. Vamos conversar lá, sem ninguém ouvindo. Ela hesitou, mas suspirou. — Tá bom. Mas se for trote, você me paga um mês de lanche. Luis já estava do lado de fora, encostado no muro da escola, os olhos encontrando os de Matheus com um significado que ele ainda não sabia decifrar. Ele se afastou do muro e caminhou na direção deles, as mãos nos bolsos da jaqueta. — Vamos — disse Luis, a voz calma. — Antes que o sinal toque. E os três seguiram para os fundos da escola, onde a sala do zelador ficava escondida atrás de uma porta de madeira descascada, longe dos olhos curiosos dos outros alunos.

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Chapter 3
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A porta de madeira rangeu ao se fechar, e os três ficaram na penumbra da sala do zelador. O cheiro de produtos de limpeza e mofo se misturava no ar abafado. Matheus deixou a mochila cair no chão e passou a mão pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos. — Lívia, você precisa entender — ele começou, a voz ainda trêmula. — Eu juro qu...

A porta de madeira rangeu ao se fechar, e os três ficaram na penumbra da sala do zelador. O cheiro de produtos de limpeza e mofo se misturava no ar abafado. Matheus deixou a mochila cair no chão e passou a mão pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos. — Lívia, você precisa entender — ele começou, a voz ainda trêmula. — Eu juro que não estou louco. O lobo era real. As chamas eram reais. E o Luis... Ele olhou para o outro garoto, que estava encostado na parede, os braços cruzados, o olhar desconfiado fixo em Lívia. Luis não dizia nada, apenas observava, os lábios apertados numa linha fina. — Ele apareceu do nada — continuou Matheus, gesticulando com as mãos ainda arranhadas. — Tinha uma lança, Lívia. Uma lança de verdade. E os olhos dele brilhavam dourados, igual os meus quando aquela luz saiu das minhas mãos. Lívia franziu a testa, os olhos indo de Matheus para Luis e voltando. — E você acredita nisso? — ela perguntou diretamente a Luis, a voz carregada de ceticismo. Luis sustentou o olhar dela por um momento antes de responder. — Acredito. Porque eu estava lá. — E o que você é? — Lívia cruzou os braços. — Um caçador de monstros? Um super-herói? — Alguém que está tentando ajudar seu amigo — Luis respondeu, seco. — Mas não sei se posso confiar em você. Matheus se colocou entre os dois. — Calma. Lívia é minha melhor amiga. Ela precisa saber. Luis suspirou, os ombros relaxando um pouco. Ele se afastou da parede e encarou Matheus diretamente. — Então ouça. Você precisa encontrar sua mãe. Ela tem as respostas que você procura. Sabe mais do que está deixando transparecer. Matheus sentiu um aperto no peito. A mãe. Claro. Sempre fora ela. — Eu vou com você — Lívia disse, tocando o braço de Matheus. — Quero ouvir essa história direito. Luis assentiu, mas antes de sair, ele se aproximou de Matheus. Por um momento hesitou, os dedos se movendo como se quisesse algo, até que finalmente estendeu a mão e tocou a de Matheus. O contato foi leve, quase tímido, mas um calor elétrico percorreu o braço do garoto. — Nos encontramos no acampamento — Luis disse, a voz mais baixa, mais pessoal. — É onde tudo vai começar de verdade. Matheus sentiu o rosto queimar. Os olhos de Luis, agora sem o brilho dourado, ainda carregavam uma intensidade que o desarmava. — Obrigado — Matheus conseguiu dizer, a voz saindo quase um sussurro. — Pelo que você fez. Por... por estar lá. Luis desviou o olhar, um leve rubor subindo pelo pescoço. Ele soltou a mão de Matheus devagar, como se a pele dele quisesse ficar. — Não precisa agradecer. Só... toma cuidado. O silêncio entre eles se estendeu por um segundo a mais do que o normal, carregado de uma química estranha, um reconhecimento silencioso de que algo estava começando ali, algo que nenhum dos dois sabia nomear. Lívia tossiu discretamente. — Bem, vamos? Luis se virou, abriu a porta e saiu sem olhar para trás, os passos ecoando pelo corredor vazio. Matheus ficou parado por um instante, sentindo ainda o calor onde as mãos deles se tocaram. — Ele é estranho — Lívia comentou, mas a voz não tinha maldade. — Vamos — Matheus disse, pegando a mochila. — Precisamos falar com minha mãe. Eles saíram da sala do zelador e seguiram em direção ao portão, enquanto Luis já desaparecia na direção oposta, levando consigo perguntas que Matheus ainda nem sabia fazer.

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