
O Fantasma no Sobretudo
O hospital tem cheiro de antisséptico e metal. A luz fluorescente do teto pisca de vez em quando, como se o prédio inteiro estivesse cansado.
Story context
World description
Terra 2037, Em Nova Northwest, cidade que nunca dorme, as ruas sempre são agitadas, festas, carros e tiros. Os cidadãos são sempre alegres e barulhentos. De dia são barulhos dos carros e de noite são barulhos das boates
Initial situation
Depois de acordar no hospital você começa a se sentir tonto e lembra como você desmaiou, você tentou salvar sua família de um incêndio mas não conseguiu e no processo você acabou perdendo um braço. Mas no processo você viu alguém saindo de lá às pressas, foi ai que você encontrou uma carta do seu pai a negar de contratar uma funcionário chamado Cain. Então você tenta procurar Cain, mas você se depara com Kate tentando roubar s...
Objective
Descobrir a verdade por trás do incêndio que destruiu sua família, identificar o verdadeiro responsável e os motivos que o levaram a cometer esse crime, reunindo provas suficientes para levá-lo à justiça e encerrar de vez esse capítulo de sua vida.
Character introduction

Second
Role: Detetive
Chapter samples
1Chapter 1▾
O hospital tem cheiro de antisséptico e metal. A luz fluorescente do teto pisca de vez em quando, como se o prédio inteiro estivesse cansado. Sinto o peso do curativo no ombro direito — ou melhor, no que sobrou dele. A ausência é um fantasma que lateja, uma dor que não existe mais no corpo, mas insiste em existir na mente. Tento sentar n...
O hospital tem cheiro de antisséptico e metal. A luz fluorescente do teto pisca de vez em quando, como se o prédio inteiro estivesse cansado. Sinto o peso do curativo no ombro direito — ou melhor, no que sobrou dele. A ausência é um fantasma que lateja, uma dor que não existe mais no corpo, mas insiste em existir na mente. Tento sentar na cama e o mundo gira por um instante. Minha mão esquerda aperta o lençol enquanto as imagens voltam — o fogo engolindo as cortinas, o calor queimando meus pulmões, o som de madeira estalando. E aquela silhueta. Alguém saindo pela porta dos fundos enquanto eu tentava entrar. Não era um monstro. Era uma pessoa. A carta do meu pai está no bolso do meu sobretudo, que alguém pendurou no cabide ao lado da cama. Papel amassado, manchado nas bordas. “Não vou contratar o... Ele é instável. Não confio nele.” Quem é o funcionário que meu pai nunca contratou? Visto o sobretudo com cuidado, ajustando o colar de prata contra o peito. Meu braço de ferro range baixinho quando dobro a manga vazia e a prendo. Preciso de ar. Preciso sair daqui. As ruas de Nova Northwest me engolem assim que piso na calçada. Luzes de neon, carros voadores cortando o céu cinzento, música pulsando de alguma boate escondida. Tudo normal. Tudo barulhento. Enfio as mãos nos bolsos e caminho, tentando organizar os pensamentos. É quando sinto um toque leve no bolso direito. Rápido. Quase imperceptível. Minha mão se move antes que eu pense. Seguro um pulso magro. — Perdeu alguma coisa? — pergunto, virando o rosto. Ela é pequena, cabelo preto, olhos verdes que me examinam sem nenhum constrangimento. Ainda não sei o nome dela, mas já sei o que ela é. Ela sorri, sem soltar o que roubou. — Só estava verificando se você ainda está vivo. Caiu durão na frente do hospital hoje cedo.
2Chapter 2▾
A risada escapa de mim antes que eu consiga segurar, curta e seca. Ela pisca, ainda com meu pulso na mão dela — ou melhor, o pulso dela na minha mão. A situação é quase cômica. — Médico? — ela repete, inclinando a cabeça. O sorriso dela se alarga, revelando dentes perfeitos. — Não, detetive. Eu sou só uma admiradora do seu trabalho. Ela...
A risada escapa de mim antes que eu consiga segurar, curta e seca. Ela pisca, ainda com meu pulso na mão dela — ou melhor, o pulso dela na minha mão. A situação é quase cômica. — Médico? — ela repete, inclinando a cabeça. O sorriso dela se alarga, revelando dentes perfeitos. — Não, detetive. Eu sou só uma admiradora do seu trabalho. Ela puxa o braço, mas não solto. Seus olhos verdes dançam, avaliando minha reação. — Admiradora que tenta roubar minha carteira? — pergunto, levantando uma sobrancelha por trás das lentes vermelhas. — Estava testando seus reflexos. — Ela dá de ombros, sem perder a compostura. — Ouvi dizer que você perdeu o braço, não os instintos. Queria confirmar. O barulho da cidade preenche o silêncio entre nós. Carros zunindo, música distante, passos apressados na calçada. Solto o pulso dela devagar. — E o veredito? — Aprovado. — Ela massageia o pulso, ainda sorrindo. — Kate. Meu nome é Kate. E você claramente não é de Nova Northwest. O jeito que você olha para os carros voadores entrega. Ela tem razão. Cada detalhe aqui é novo e familiar ao mesmo tempo, como uma cidade que cresceu sem mim. Cruzo os braços, apoiando o peso no lado esquerdo. — Detetive particular. Vim atrás de informações sobre um funcionário que meu pai dispensou. Nome: Cain. Conhece? Kate inclina a cabeça para o lado, os olhos estreitando por um instante antes de voltarem ao normal. Rápido demais para ter certeza. — Cain? — Ela repete o nome como se provasse o gosto. — Nome interessante. Mas não, nunca ouvi falar. — Ela enfia as mãos nos bolsos da calça preta. — Por que um detetive famoso como você está atrás de um funcionário qualquer?
3Chapter 3▾
Ela sustenta meu olhar por um instante, os olhos verdes examinando cada detalhe do meu rosto como se lesse um livro aberto. O sorriso dela não desaparece, mas algo muda na forma como o segura — mais contido, mais calculado. — Assuntos a tratar. — Ela repete as palavras devagar, como se as pesasse na língua. — Soa misterioso. E perigoso. ...
Ela sustenta meu olhar por um instante, os olhos verdes examinando cada detalhe do meu rosto como se lesse um livro aberto. O sorriso dela não desaparece, mas algo muda na forma como o segura — mais contido, mais calculado. — Assuntos a tratar. — Ela repete as palavras devagar, como se as pesasse na língua. — Soa misterioso. E perigoso. Ela dá um passo para o lado, desviando de um grupo de jovens que passa rindo alto. Por um momento, ela parece distraída, os olhos acompanhando uma nave que cruza o céu entre os arranha-céus. Mas sei que não é distração. É estratégia. — Detetives particulares e assuntos misteriosos geralmente significam problemas. — Ela volta a me encarar, inclinando a cabeça. — E eu não sou muito fã de problemas. — Ninguém é. — Encolho os ombros, sentindo o rangido familiar do braço de ferro. — Mas alguns problemas valem a pena. Kate morde o lábio inferior, pensativa. O vento sopra alguns fios de cabelo preto sobre o rosto dela, e ela os afasta com um movimento rápido. — Cain. — Ela pronuncia o nome novamente, como se testasse algo. — Você realmente não sabe quem ele é, não é? A pergunta fica suspensa entre nós. O barulho da cidade parece diminuir por um segundo, como se o próprio mundo esperasse minha resposta. — Se soubesse, não estaria perguntando. Ela ri baixinho, balançando a cabeça. — Justo. — Ela enfia as mãos nos bolsos do suéter vermelho. — Olha, detetive, eu não conheço nenhum Cain. Mas conheço alguém que pode saber. Uma garota que trabalha no Distrito dos Mercados. Ela ouve coisas. Kate se vira, apontando com o queixo para o leste, onde as luzes de neon formam um arco-íris difuso no horizonte. — Se você quiser, posso te levar até ela.



