O Fantasma no Sobretudo
Public Story

O Fantasma no Sobretudo

O hospital tem cheiro de antisséptico e metal. A luz fluorescente do teto pisca de vez em quando, como se o prédio inteiro estivesse cansado.

ImmortalNomad385
AuthorImmortalNomad385
Created6. August 2026
Chapters11

Story context

World description

Terra 2037, Em Nova Northwest, cidade que nunca dorme, as ruas sempre são agitadas, festas, carros e tiros. Os cidadãos são sempre alegres e barulhentos. De dia são barulhos dos carros e de noite são barulhos das boates

Initial situation

Depois de acordar no hospital você começa a se sentir tonto e lembra como você desmaiou, você tentou salvar sua família de um incêndio mas não conseguiu e no processo você acabou perdendo um braço. Mas no processo você viu alguém saindo de lá às pressas, foi ai que você encontrou uma carta do seu pai a negar de contratar uma funcionário chamado Cain. Então você tenta procurar Cain, mas você se depara com Kate tentando roubar s...

Objective

Descobrir a verdade por trás do incêndio que destruiu sua família, identificar o verdadeiro responsável e os motivos que o levaram a cometer esse crime, reunindo provas suficientes para levá-lo à justiça e encerrar de vez esse capítulo de sua vida.

Character introduction

Second

Second

Role: Detetive

PersonalityCorajoso, introvertido, brincalhão, calmo, analítico, preguiçoso
FlawsSofre uma depressão por ter perdido o braço e não ter salvo a família durante um incêndio que aconteceu por causa de um monstro
AppearanceUm homem com corpo definido e um braço de ferro, vestindo um sobretudo preto e um fato preto com camisa vermelha, cabelo branco e óculos vermelho e brincos nas orelhas e um colar de prata
BackstorySecond é um detetive de primeira classe que solucionou inúmeros casos complexos. Apesar de sua habilidade, nunca descobriu quem incendiou sua casa, tragédia que lhe custou um braço e a vida de sua família. Após encontrar uma mensagem deixada por seu pai, parte para Nova Northwest em busca de respostas, sem imaginar que essa jornada pode revelar a verdade que o persegue há anos.
RelationshipRelação entre Cain e Second Antes de Second saber que Cain está vivo Second acreditava que Cain havia morrido no incêndio que destruiu sua família. Guardava lembranças de um irmão distante, com quem nunca conseguiu se reconciliar, mas jamais imaginou que ele ...

Chapter samples

1
Chapter 1
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O hospital tem cheiro de antisséptico e metal. A luz fluorescente do teto pisca de vez em quando, como se o prédio inteiro estivesse cansado. Sinto o peso do curativo no ombro direito — ou melhor, no que sobrou dele. A ausência é um fantasma que lateja, uma dor que não existe mais no corpo, mas insiste em existir na mente. Tento sentar n...

O hospital tem cheiro de antisséptico e metal. A luz fluorescente do teto pisca de vez em quando, como se o prédio inteiro estivesse cansado. Sinto o peso do curativo no ombro direito — ou melhor, no que sobrou dele. A ausência é um fantasma que lateja, uma dor que não existe mais no corpo, mas insiste em existir na mente. Tento sentar na cama e o mundo gira por um instante. Minha mão esquerda aperta o lençol enquanto as imagens voltam — o fogo engolindo as cortinas, o calor queimando meus pulmões, o som de madeira estalando. E aquela silhueta. Alguém saindo pela porta dos fundos enquanto eu tentava entrar. Não era um monstro. Era uma pessoa. A carta do meu pai está no bolso do meu sobretudo, que alguém pendurou no cabide ao lado da cama. Papel amassado, manchado nas bordas. “Não vou contratar o... Ele é instável. Não confio nele.” Quem é o funcionário que meu pai nunca contratou? Visto o sobretudo com cuidado, ajustando o colar de prata contra o peito. Meu braço de ferro range baixinho quando dobro a manga vazia e a prendo. Preciso de ar. Preciso sair daqui. As ruas de Nova Northwest me engolem assim que piso na calçada. Luzes de neon, carros voadores cortando o céu cinzento, música pulsando de alguma boate escondida. Tudo normal. Tudo barulhento. Enfio as mãos nos bolsos e caminho, tentando organizar os pensamentos. É quando sinto um toque leve no bolso direito. Rápido. Quase imperceptível. Minha mão se move antes que eu pense. Seguro um pulso magro. — Perdeu alguma coisa? — pergunto, virando o rosto. Ela é pequena, cabelo preto, olhos verdes que me examinam sem nenhum constrangimento. Ainda não sei o nome dela, mas já sei o que ela é. Ela sorri, sem soltar o que roubou. — Só estava verificando se você ainda está vivo. Caiu durão na frente do hospital hoje cedo.

2
Chapter 2
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A risada escapa de mim antes que eu consiga segurar, curta e seca. Ela pisca, ainda com meu pulso na mão dela — ou melhor, o pulso dela na minha mão. A situação é quase cômica. — Médico? — ela repete, inclinando a cabeça. O sorriso dela se alarga, revelando dentes perfeitos. — Não, detetive. Eu sou só uma admiradora do seu trabalho. Ela...

A risada escapa de mim antes que eu consiga segurar, curta e seca. Ela pisca, ainda com meu pulso na mão dela — ou melhor, o pulso dela na minha mão. A situação é quase cômica. — Médico? — ela repete, inclinando a cabeça. O sorriso dela se alarga, revelando dentes perfeitos. — Não, detetive. Eu sou só uma admiradora do seu trabalho. Ela puxa o braço, mas não solto. Seus olhos verdes dançam, avaliando minha reação. — Admiradora que tenta roubar minha carteira? — pergunto, levantando uma sobrancelha por trás das lentes vermelhas. — Estava testando seus reflexos. — Ela dá de ombros, sem perder a compostura. — Ouvi dizer que você perdeu o braço, não os instintos. Queria confirmar. O barulho da cidade preenche o silêncio entre nós. Carros zunindo, música distante, passos apressados na calçada. Solto o pulso dela devagar. — E o veredito? — Aprovado. — Ela massageia o pulso, ainda sorrindo. — Kate. Meu nome é Kate. E você claramente não é de Nova Northwest. O jeito que você olha para os carros voadores entrega. Ela tem razão. Cada detalhe aqui é novo e familiar ao mesmo tempo, como uma cidade que cresceu sem mim. Cruzo os braços, apoiando o peso no lado esquerdo. — Detetive particular. Vim atrás de informações sobre um funcionário que meu pai dispensou. Nome: Cain. Conhece? Kate inclina a cabeça para o lado, os olhos estreitando por um instante antes de voltarem ao normal. Rápido demais para ter certeza. — Cain? — Ela repete o nome como se provasse o gosto. — Nome interessante. Mas não, nunca ouvi falar. — Ela enfia as mãos nos bolsos da calça preta. — Por que um detetive famoso como você está atrás de um funcionário qualquer?

3
Chapter 3
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Ela sustenta meu olhar por um instante, os olhos verdes examinando cada detalhe do meu rosto como se lesse um livro aberto. O sorriso dela não desaparece, mas algo muda na forma como o segura — mais contido, mais calculado. — Assuntos a tratar. — Ela repete as palavras devagar, como se as pesasse na língua. — Soa misterioso. E perigoso. ...

Ela sustenta meu olhar por um instante, os olhos verdes examinando cada detalhe do meu rosto como se lesse um livro aberto. O sorriso dela não desaparece, mas algo muda na forma como o segura — mais contido, mais calculado. — Assuntos a tratar. — Ela repete as palavras devagar, como se as pesasse na língua. — Soa misterioso. E perigoso. Ela dá um passo para o lado, desviando de um grupo de jovens que passa rindo alto. Por um momento, ela parece distraída, os olhos acompanhando uma nave que cruza o céu entre os arranha-céus. Mas sei que não é distração. É estratégia. — Detetives particulares e assuntos misteriosos geralmente significam problemas. — Ela volta a me encarar, inclinando a cabeça. — E eu não sou muito fã de problemas. — Ninguém é. — Encolho os ombros, sentindo o rangido familiar do braço de ferro. — Mas alguns problemas valem a pena. Kate morde o lábio inferior, pensativa. O vento sopra alguns fios de cabelo preto sobre o rosto dela, e ela os afasta com um movimento rápido. — Cain. — Ela pronuncia o nome novamente, como se testasse algo. — Você realmente não sabe quem ele é, não é? A pergunta fica suspensa entre nós. O barulho da cidade parece diminuir por um segundo, como se o próprio mundo esperasse minha resposta. — Se soubesse, não estaria perguntando. Ela ri baixinho, balançando a cabeça. — Justo. — Ela enfia as mãos nos bolsos do suéter vermelho. — Olha, detetive, eu não conheço nenhum Cain. Mas conheço alguém que pode saber. Uma garota que trabalha no Distrito dos Mercados. Ela ouve coisas. Kate se vira, apontando com o queixo para o leste, onde as luzes de neon formam um arco-íris difuso no horizonte. — Se você quiser, posso te levar até ela.

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